sábado, 12 de junho de 2010

CÓPIA DE OFÍCIO DE DIVULGAÇÃO DO ENED

"...A maior caridade que podemos fazer pela doutrina é sua divulgação."
Emmanuel.

Caríssimos irmãos dirigentes e trabalhadores da Divulgação,
Com muita alegria informamos que o CEERJ realizará no dia 26 de setembro de 2010, através de sua Área de Divulgação o IV ENED – Encontro Estadual Espírita de Divulgação.
O foco do encontro está centrado em duas vertentes: 1º na comemoração do centenário de Chico Xavier, uma vez que o tema escolhido foi “Divulgação – de Chico Xavier aos nossos dias”; 2º o entendimento de que a divulgação da Doutrina Espírita deve se dar de forma cada vez mais adequada e correta.
Observamos, ainda, que há uma intensa procura das lideranças espíritas pela imprensa leiga falada, escrita e televisionada, pelo interesse que vem despertando as questões tratadas pelo Espiritismo.
Além de conferência a ser realizada pelo nosso companheiro Antônio Cesar Perri de Carvalho, secretário geral do CFN, teremos importantes momentos como Mesa-redonda e centros de interesse, cujos temas relacionamos abaixo:

1. André Luiz (GEAMA) - Arte –Música
2. Malena - Serviço de Comunicação Social Espírita:
3. Cristina Brito - Divulgação através das relações externas
4. Givanildo e José Passini – Esperanto e os 3 Es
5. Inês (SEAD) - Divulgação através das reuniões doutrinárias
6. Fábio Peluso - Qualificação da Arte
7. Yasmin Madeira - Aspectos da Comunicação na mídia
8. Juliana Varajão - Teatro – Aspectos doutrinários
9. Francisco Ramos - Critérios para divulgação do livro espírita
10. Mariangela - A Dança e seu papel na divulgação espírita
11. Saulo de Tarso - Jornal – Imprensa espírita
12. Angela Delou - Comunicação – Divulgação na CE

Para o êxito desta ação, pedimos que cada um de nós se empenhe no sentido de encaminhar pelo menos um representante por instituição para o evento, ou o que seria ideal, um para cada centro de interesse.
Pedimos também que o representante de cada CEU, se encarregue de espalhar essa boa notícia – neste momento apenas através da mensagem oral e da reprodução deste ofício às IE – informando que oportunamente o material de divulgação estará sendo encaminhado, bem como todas as orientações de inscrição etc.
Rogando a Jesus seja sempre o mentor de nossas vidas e que abençoe-nos esta oportunidade de trabalharmos juntos pela divulgação do Espiritismo, encerramos com votos de paz e trabalho.


Gutemberg Paschoal da Silva
Diretor da Área de Divulgação CEERJ
24-8815-0511
24-8145-9220

Artigo extraído de documento do CEERJ

CRITÉRIOS PARA DIVULGAÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA

Porquê? Para quê? O quê? Como? Quem? Quando? Onde? Quanto?
Por quê?
Em vista da infinidade de editoras comerciais e de livros ditos espíritas, com conteúdo duvidoso e com qualidade literária questionável, com práticas agressivas de marketing e de produção editorial e com assimilação contínua do movimento espírita e da sociedade, em contraposição a um universo literário de obras de genuína qualidade espírita e literária consagrada.
Para quê?
Utilizando com critério, pedagogia e serenidade foram reunidos os princípios fundamentados por Allan Kardec na Codificação e Revista Espírita em um documento facilitador que objetiva auxiliar a quem quer que seja no movimento espírita, do leitor ao tarefeiro espírita, do dirigente do centro espírita ao coordenador de CEU/CEERJ, tanto quanto ao simpatizante, ao distribuidor, editor e demais federativas para fins de, com base nos princípios kardequianos mencionados, ponderar sobre a leitura a ser lida, emprestada, comercializada, distribuída ou editada, sem interferir no direito de quem quer que seja de fazer diferente ao pretendido pelo documento mencionado. Afinal, nada impede o livre-arbítrio, antes intenciona-se pelo intermédio do mesmo, demonstrar a clareza e precisão do Mestre Allan Kardec para estudarmos tão somente o Espiritismo a fim de através dele termos subsídios para lermos de tudo, posto que onde o mal possamos reter o bem.
O quê?
O documento analisado pretende fornecer subsídios a título de critérios com base no pensamento de Kardec ante ao seu próprio questionamento em face das comunicações dos espíritos e dos espíritas e utilizar os critérios por ele recomendados e pelos espíritos esclarecidos que nos prestaram enorme contribuição para que não venhamos a expor qualquer comunicação ou publicação que não tenha caráter doutrinário ou literário, o que não impede de debatermos ou lermos individualmente ou coletivamente tal ou qual conhecimento. Todos aqueles que considerarem determinado conteúdo de seu interesse, certamente, terão o alvitre de obtê-lo, vez que haverá quem fornecerá a oferta em face da demanda.
Como?
O documento encontra-se disponível para quem desejar conhecer e reproduzir desde 1996, data em que se iniciou a Campanha de Divulgação do Espiritismo pelo CFN/FEB em face da produção desse documento e dos motivos que o ensejaram.
Quem?
Todos os simpatizantes, espíritas, tarefeiros espíritas, dirigentes espíritas, coordenadores de CEU/CEERJ, diretores e equipes federativas, editores, distribuidores, livreiros espíritas.
Quando?
Enquanto o Espiritismo for um projeto e o mundo carecer de seu conhecimento. Agora, amanhã, continuamente.
Onde?
Em todos os centros espíritas e instituições espíritas e nas oportunidades próprias.
Quanto?
Pelo custo mínimo possível, viabilizando o acesso à divulgação doutrinária de qualidade.
Textos:
Controle Qualitativo;
Deve-se Publicar Tudo o que dizem os Espíritos;
Exame das Publicações Medianímicas que nos são dirigidas;
O documento Critérios para Divulgação do Livro Espírita;
Formulário para Exame de Livros;
Exercício com os textos de O Livro do Médium: Dissertações Espíritas e Comunicações Apócrifas;
Campanha de Divulgação Espírita de 1996;

Aspectos para melhor entendimento do uso de Critérios:

Senso moral (maturidade do);
Afinidade e paixão;
Identidade e Linguagem dos Espíritos;
Qualidade Doutrinária;
Qualidade Literária;
Gratuidade e Profissionalização;
Obras Básicas, Acessórias, Complementares e Subsidiárias e Clássicas;
Autores e Médiuns Consagrados;
Espiritismo e Espiritualismo.

Artigo de Luis Signates

As Federações e as seleções literárias

Luiz Signates

Preocupação com os livros de qualidade duvidosa pode conduzir as Federações ao arriscado terreno da censura literária, reduzindo o espaço da liberdade do pensamento espírita.

Temos acompanhado atentamente algumas discussões e lido alguns documentos e artigos divulgados por entidades federativas, preocupadas com a seleção doutrinária das obras espíritas. O assunto é sério e merece uma análise aprofundada, para não incorrermos em equívocos antigos.

A preocupação dos confrades vem sendo inspirada na nobre intenção de contribuir para o aprimoramento da difusão espírita através do livro. Em diferentes documentos e artigos, lideranças das Federações Espíritas têm exaltado a importância de se destacar a qualidade de conteúdo e forma das publicações, buscando critérios nobres para que isso seja feito, se referindo à responsabilidade dos dirigentes quanto à orientação positiva e apontando para inegável avalanche de obras claramente ruins na literatura espírita atual.

Entretanto tais argumentos têm ultimamente servido à estruturação de práticas seletivas institucionalizadas de valor, no mínimo, discutível. Ancorados na seriedade com que Kardec praticou a seleção de ditados mediúnicos, tais companheiros defendem a seleção institucionalizada, dos livros a serem vendidos nas livrarias espíritas, ou seja, que os catálogos das Federações sejam tomados como referência para seleção e que os livros que contenham “erros doutrinários” sejam banidos desses catálogos. Um desses documentos (preferimos não citar) propugna uma técnica que consiste em rejeitar “tudo o que peque contra a lógica e o bom senso”, aceitar somente as obras com destacada qualidade (literária e alcance instrutivo), repelir o vulgar, o pueril, o erro doutrinário (mesmo que, no conjunto, a obra apresente boas idéias), o simplório, o polêmico, o repetitivo e os princípios estranhos à Doutrina.

Sem pretender criar polêmica ou desenvolver uma crítica irresponsável contra entidades (até porque sou trabalhador de uma, que, aliás, não adota tais critérios), preocupa-me que tais instituições chamem para si o papel de seletores bibliográficos. O Espiritismo é uma movimentação espiritual emancipadora, baseada na liberdade de pensamento e expressão, sendo impróprio e regressivo operar uma institucionalização da difusão de suas idéias.

Outro aspecto preocupante é que, alicerçando-se no discutível conceito de pureza doutrinária (inexistente na obra de Kardec), tais iniciativas acabam conferindo a confrades “com base doutrinária” vastos poderes ideológicos, para rejeitar qualquer obra, pela simples emissão de um conceito “estranho”, “mesmo que no conjunto apresente boas idéias”. Eis aqui, uma argumentação que em nada ficaria a dever às que alicerçam o “índex”, da Igreja Católica, ainda que, desta vez, não haja a pretensão de publicar uma lista de livro proibido (embora seja obrigatória a sua existência, a fim de impedir os pedidos).

Tal ordem de idéias contraria o caráter progressivo da Doutrina Espírita. Quem disse que o Espiritismo já atingiu a verdade absoluta? Quem disse que os nossos princípios e idéias são imutáveis? Quem disse que as idéias espíritas não progredirão mais? Por tais critérios seletivos, se tivéssemos na década de quarenta a estrutura que temos hoje, provavelmente rejeitaríamos a obra “Nosso Lar”, de André Luiz. O que consideramos absurdo hoje pode ser a grande verdade de amanhã. Se estudarmos história da ciência, veremos que as teses de Galileu Galilei pecavam, em sua época, contra a lógica e o bom senso aristotélicos hegemônicos na escola paripatética. Nem por isso deixaram de ter validade.

Apesar de bem intencionadas, tais medidas redundam claramente na institucionalização da opinião doutrinária, reduzindo o espaço de liberdade de pensamento dos espíritas. Aparentemente boa, essa intenção esconde um risco que não vale a pena ser corrido: o de banir a Inteligência, a criatividade e as novas descobertas do espaço de debate do Espiritismo organizado. O Espiritismo tem que estar aberto para dúvidas e contradições, criando espaço para que sejam clara e abertamente discutidas, e não escondidas e policiadas, como pretendem os vigilantes da pureza doutrinária.

Considero, por isso, que o nosso esforço deve estar na tarefa de criar o bem, e não espancar o mal. Ante os aparentes desvios, é oportuno seguir a orientação de Jesus Cristo: “Deixai o joio crescer no meio do trigo, pois aquele será ceifado na hora da colheita”. Deixar crescer e localizar a ceifa na colheita são medidas de elevada simbologia, para o assunto em questão. Eis, portanto, as minhas propostas para uma postura não só das Federativas, como de toda e qualquer instituição coerente com os fundamentos espíritas:

A nenhuma instituição cabe o papel de censora. Não cabe às entidades espíritas selecionar obras editadas por outras casas, devendo vendê-las sem problemas, desde que procuradas pelo movimento espírita. Percamos o medo das idéias e permitamos ao joio que cresça no meio do trigo. O critério é o da escolha racional, baseada no pressuposto de que o movimento espírita deve ter o direito de escolher o que lhe convém, sendo desnecessário e, mesmo, prejudicial que alguma instituição ou grupo assuma pelos espíritas em geral esse papel.

As casas publicadoras assumem a responsabilidade pelo que publicam. Para isso adotarão os critérios que lhes parecerem melhores, mesmo os mais rigorosos, levando em conta a contribuição à difusão e ao progresso do pensamento espírita.

E, por fim, que cada distribuidora ou revenda dê solução comunicativa ao problema da crítica literária espírita. Que as Federativas façam uma campanha voltada para os consumidores da literatura espírita, objetivando receber críticas e análises destes a respeito das diversas obras publicadas. Tal providência poderá ser feita com a inserção, em cada livro vendido, de uma “carta resposta comercial” (custo embutido no preço da venda), a ser preenchida pelo leitor, analisando a obra lida. Respondida, uma cópia dessa carta seria enviada aos respectivos autores e editores. Com isso, será aberto um rico espaço público para a comunicação e o debate, sem que as Federações assumam, indevidamente, o papel de censoras ou de fiscais do pensamento alheio, em nome de uma suposta pureza doutrinária. Talvez se possa interpretar que aqui, a recomendação de Jesus encontra sua razão: a ceifa será feita na colheita, isto é, a separação do joio e do trigo doutrinários seria desenvolvida na leitura, e não nos processos intermediários.

Dentro desses critérios, acredito que teremos um sistema simples e eficiente de aproveitamento de nossa literatura, além de criar um sistema baseado na liberdade e na comunicação para aperfeiçoá-la.

Revista Espírita Allan Kardec, nº 33 – janeiro/março – 1997

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